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Segunda-feira, 6 de Abril de 2009

Ainda a Cimeira do G20

Relativamente ao post que escrevi sobre a Cimeira do G20 em Londres, recebi um comentário do sempre atento Inframodal. Como temo alongar-me na resposta, dedico mais um post ao assunto.

Por detrás desta luta contra a globalização (luta no sentido físico e não apenas no teórico), ou seja, contra a liberdade de circulação de pessoas e bens, esconde-se uma outra luta mais antiga e profunda: uma guerra contra o liberalismo. Não há aqui nada de novo. A retórica é a mesma, os métodos de intervenção são os mesmos, os resultado seriam, infalivelmente, os mesmos. Não aprender com os erros do passado é humano mas é também estúpido. E com isto refiro-me também aos erros do capitalismo (deixemos de lado os juízos moralistas acerca de ganância, usura ou obscenidade): objectivos financeiros irrealistas, irresponsabilidade de gestores, fortunas baseadas em dinheiro que, verdadeiramente, não existe, padrões de vida acima das possibilidades reais, crédito fácil, entidades reguladoras ineficazes, intervenção estatal, etc. Mas as soluções para estes desafios têm que ser verdadeiramente novas e não regressos ao passado. Sobretudo dar mais liberdade e responsabilidade aos indivíduos. Libertá-los das terríveis e entorpecedoras grilhetas do Estado. O Estado deve ser o árbitro da economia, estabelecer as regras. Não deve ser um dos jogadores.

 

Quanto a reler Marx: essa é uma ideia muito em voga. Resulta, no entanto, numa perda de tempo. Antes de mais, porque Marx parte de um pressuposto errado: confunde igualdade com igualitarismo. Uma coisa é a igualdade de direitos, deveres e oportunidades, outra é o igualitarismo, um sistema político onde todos os homens devem pensar da mesma maneria, necessariamente. Além disso, este não é o fim do capitalismo. Pelo menos, não como Marx previu: segundo o próprio o capitalismo provocaria o alastramento da pobreza sobre as classes trabalhadoras, subjugadas por um grupo restrito de capitalistas cada vez mais ricos. É uma ideia que tem feito doutrina. Mas é uma ideia que os factos desmentem. Nunca os trabalhadores conheceram melhores condições de vida, os "patrões" capitalistas são também fortemente penalizados pelas crises (por esta, em particular). A concentração capitalista é outro dos erros: há um número crescente de pequenas e médias empresas.

O comunismo é, na sua base, perfeitamente injusto: os trabalhadores produtivos são tão valorizados como os que não produzem; o cidadão comum não pode construir o seu futuro pelas próprias mãos, tem que se sujeitar à intervenção do Estado; a inventividade e a imaginação são desaconselhadas; a escolha é reduzida; as diferenças naturais entre os indivíduos são desvalorizadas e procura-se o padrão nos comportamentos e pensamentos. O comunismo é, pela sua própria natureza teórica, totalitário, injusto e castrador.

publicado por bmptavares às 02:46
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