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Quarta-feira, 25 de Março de 2009

O Estado das coisas

Já aqui há tempos intervi numa discussão acerca das virtudes ou dos pecados do programa Nós por Cá, emitido na SIC. A opinião geral era que o programa se limitava a elencar maus exemplos e defeitos, sem apresentar o lado bom das coisas. Primeiro, não é essa a função do programa; segundo, ele é muito esclarecedor sobre o tipo de povo que somos. Já nem falo das inumeras situações de falta de profissionalismo, de desprezo pelo cidadão, do desleixo e do desmazelo, da mais primária boçalidade. O mais interessante do programa é uma pequena rubrica intitulada Se eu mandasse... O objectivo da coisa é saber o que cidadãos comuns e anónimos fariam se, por uma acaso do destino, o poder lhes caísse nas mãos. Ignoremos aqueles que revelam apenas ignorância. A maioria dos testemunhos começa da seguinte forma: "fazia com que o Governo..." ou, mais prosaicamente, "obrigava..." Este tipo de discurso revela diversas coisas. Antes de mais, revela o entendimento que os portugueses têm do poder. O poder e o seu exercício é sempre visto como uma coacção sobre os outros. Revela também a pouca confiança que colocamos nos nossos compatriotas no cumprimento das regras e leis, ou seja, nenhuma. Esclarece-nos ainda sobre o que os portugueses sentem que deve ser a função do Estado. Neste caso, acham que o Estado deve estar presente em todos os aspectos da sua vida: na educação, na saúde, na vida profissional, em suma, no apoio a todas as actividades da vida comum e privada. O Estado deve subsidiar todas as actividades, deve intervir em todos os aspectos. Este conceito do Estado interventor é, também ele, revelador. Primeiro de um paradoxo: os portugueses acham que pagam muitos impostos e fazem tudo para evitar pagá-los mas, por outro lado, consideram que a intervebção e o apoio do Estado devia ser ainda maior. Revela também a falta de dinamismo, empreendedorismo e autonomia da população (como se diz agora, da sociedade civil). Atribuir tamanho papel interventor ao Estado serve de pretexto para nos eximirmos das nossas responsabilidades individuais. Por fim, revela o pouco apreço que os portugueses realmente têm pela Liberdade. Aparentemente, abdicam dela sem grandes remorsos, em troca de um Estado que cuide dos seus problemas.

A questão é, principalmente, histórica. O tempo em que tinhamos que ser empreendedores e autónomos perdeu-se no tempo. Desde há muito que o Estado decide as nossas vidas, estabelece todos os parâmetros das nossas actividades. A coisa agravou-se durante a ditadura corporativa de Salazar, em que o Estado era o Pai protector e severo. Não melhorou com a Revolução: o Estado passou a ser o nosso Patrão exigente mas relapso.

publicado por bmptavares às 00:58
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Terça-feira, 24 de Março de 2009

Quando a Arte era Arte XXXV - Pintura

Amuada (1882)

Rodolfo Amoedo

Museu Nacional de Belas Artes (Rio de Janeiro)

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publicado por bmptavares às 03:13
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Vamos à bola!

 

Declaração de intenções: sou benfiquista. O famigerado penalty não existiu? Não. E depois? Já houve tantos penalties que não existiram, foram marcados e alteraram o curso do jogo. Enquanto se perde tempo a discutir este assunto, esquece-se a questão essencial: aquela final da Taça da Liga é o espelho fiel do futebol português, actualmente. Ou seja, uma merda. Os jogos ou são uma espécie de batalha medieval em que o objectivo é dar sarrafada de meia-noite nos adversários e a bola é apenas um pretexto; ou são uma sensaboria jogada a meio-campo, em que os jogadores chutam para onde estão virados (geralmente para as pernas dos adversários) e comportam-se como matraquillhos. Passam-se jogos em que não se vê nem sombras de uma jogada consequente, uma estratégia bem desenhada. As balizas sofrem de um estranho fenómeno de encolhimento: não há maneira de as bolas entrarem. Bom, talvez ajudasse se REMATASSEM À BALIZA!!!! Os jogadores parecem perder totalmente o carácter e o brio profissional assim que entram em campo: como as balizas são pequenas, a única maneira de marcar golos é simulando faltas, discutindo com o árbitro todos os lances do jogo (mesmo os lançamentos laterais mais evidentes, os cantos mais flagrantes), nunca admitir que se cometeu uma falta sobre o adversário mesmo que ele apresente uma fractura exposta.

Por isso e por falta de dinheiro, os portugueses não vão aos estádios. O que, nas transmissões televisivas, consiste no bonito espectáculo das cadeiras vazias, já que as televisões fazem gala em que as câmaras não captem imagens dos poucos adeptos. Ouvimos então um tambor sincopado, a berraria das claques e mais nada.Temos assim estádios de 30 mil lugares com assistências de 3 mil. É mais ou menos como se tivessem construído o Maracanã no Liechtenstein. Já que falo nas televisões, aproveito para entrar nesse mundo à parte que é o dos jornalistas desportivos. Vestem bem. Demasiadamente bem: quero dizer, alguém vai à bola de fato e gravata (mas não um fato e gravata qualquer, uma coisa moderna, fina, de tecido sedoso e nó de gravata descomunal)? Eu até desculpava o péssimo gosto, se as intervenções fossem boas. Pois não são. Eu percebo que se tente nivelar o nível do entrevistador pelo do entrevistado mas assim já é demais. As flash interviews são uma montra de mediocridade, mau português e transpiração.

Os dirigentes dos clubes são ... bom, são o que são. Falam demais, dão-lhes demasiada importância, demasiado tempo de antena, demasiado dinheiro. Os clubes são geridos como mercearias, vão acumulando prejuízos e nada disso tem importância. Se os clubes fossem tratados como outras empresas,  a Primeira Liga já estava reduzida a dois ou três. No meio disto tudo, tenho pena dos árbitros. Homens simples, vestidos de amarelo (!), insultados por milhares, ludibriados pelos jogadores, pressionados por treinadores e dirigentes, com fama de ladrões, a vida não deve ser fácil. E ainda por cima ainda têm aquele problema de visão... Agora a sério: eles são o elo mais fraco desta cadeia. Não importa se os jogadores jogam mal, se os treinadores falham na estratégia, se os dirigentes falam antes dos jogos para os condicionarem; nem que tenha apenas um centésimo de segundo para decidir. O culpado é sempre o árbitro.

publicado por bmptavares às 02:32
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Comunicado

Comunica-se aos interessados (se os houver) que, a partir de hoje, haverá alterações na rubrica Quando a Arte era Arte. Assim, as categorias Música Clássica e Ópera passarão a integrar uma mesma categoria; a categoria Poesia passará a ser autónoma, sem nenhuma periodicidade estipulada e será substituída, à 6ª feira, por um post extra de pintura; a sugestão de leitura também será autonomizada.

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publicado por bmptavares às 02:22
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A Igreja e o Mundo

Confesso que estava a ficar preocupado. É que já se tinham passado alguns dias sobre o post acerca da visista do Papa a África e nada. Nem um comentário. Geralmente, este é um assunto popular no que toca a discussões. Como este é um blog modesto, os comentários foram poucos... mas bons. Entre a concordância de Farroscal II e o elegante desacordo de Inframodal, a coisa compôs-se.

 

Até houve um comentário descabelado, como sempre há quando se discutem estes assuntos. Acontece que estes são aqueles que me causam mais gozo, porque utilizam os argumentos mais parolos e vulgares, confundem alhos com bugalhos e, muito facilmente, perdem a razão. Não percebem que o discurso da Igreja é, sobretudo, uma proposta moral. Cabe às pessoas (todas as pessoas) aceitarem ou não essa proposta. E mesmo criticar essa proposta se esta lhes parece descabida. O que não podem é negar as evidências: a Igreja Católica é a mais activa e interventiva instituição a trabalhar em África. Os missionários enfrentam perigos diversos para acudir a uma população abandonada pelos seus próprios governos. Muitos são assassinados sem que haja uma voz que se levante, sem que haja uma notícia no jornal. A maioria das escolas e dos hospitais funcionam através da acção da Igreja. Acusa-se a Igreja de obras sumptuárias na construção de basílicas sem saber que a maior parte do dinheiro recolhido é empregue em obras de cariz social. A Igreja poderia fazer mais? Certamente. Todos nós poderíamos fazer mais.

Sou católico. Penso que a doutrina basilar da Igreja e a figura de Cristo são aquelas que mais inspiram ao bem. No entanto, há muitas coisas com as quais não concordo. Isso não faz de mim melhor ou pior católco, porque a Igreja acolhe todos (sobretudo os mais fracos e os pecadores). Concedo que, aos olhos do mundo actual, haja muita coisas que parecem despropositadamente ultrapassadas.  Mas a função da Igreja não é a de um partido político, que necessita de se moldar ao que é "popular" em dado momento. O que eu não posso tolerar é atacar-se a Igreja naquilo que ela tem de mais cristão (no sentido de ser emanado de Cristo): é a ajuda desinteressada aos mais fracos e necessitados, é o dar a vida pelo bem dos outros, é o perdoar sempre. Infelizmente, é mais do que a maioria de nós pode almejar.

 

 

publicado por bmptavares às 01:47
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Sábado, 21 de Março de 2009

O estranho caso do Provedor

Lisboa, 21 Mar (Lusa) - O porta-voz do PS, Vitalino Canas, acusou hoje o PSD de ter uma visão sectária e partidária do cargo de Provedor de Justiça e de estar a tentar pressionar os socialistas a aceitarem um nome próximo dos sociais-democratas.

 

Presumo que o contrário, ou seja, os socialistas tentarem impor um nome que lhes seja próximo, deva ter outro nome que não "visão sectária e partidária do cargo"...

 

Se não levarmos em consideração o cúmulo de falta de vergonha que este episódio encerra, fica-nos isto:  o PS julga que a maioria absoluta lhe deve permitir ocupar todos os cargos, criando uma rede apertada de controlo. Até nas maiorias absolutas do Prof. Cavaco havia mais decoro e contenção na distribuição de cargos.

Este é, aliás, um caso típico de simples exibição do poder do Governo. O cargo de Provedor de Justiça, por muito louvável e respeitável que seja, é um cargo largamente inócuo, sem grande peso político e com pouca influência na área que devia "prover". Alguém se lembra da última intervenção do Provedor de Justiça? E de quais as consequências dessa intervenção? Pois, bem me parecia...

publicado por bmptavares às 18:35
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Sexta-feira, 20 de Março de 2009

Quando a Arte era Arte XXXIV - Poesia

Seus Olhos

Seus olhos - se eu sei pintar
O que os meus olhos cegou -
Não tinham luz de brilhar.
Era chama de queimar;
E o fogo que a ateou
Vivaz, eterno, divino,
Como facho do Destino.

Divino, eterno! - e suave
Ao mesmo tempo: mas grave
E de tão fatal poder,
Que, num só momento que a vi,
Queimar toda alma senti...
Nem ficou mais de meu ser,
Senão a cinza em que ardi.


                       Almeida Garrett
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publicado por bmptavares às 21:33
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Os outros filhos de Deus

Apesar de ser dos poucos chefes de Estado que se deu ao trabalho de perder meia dúzia de dias a visitar o continente africano, o Papa não deixou de ser enxovalhado e insultado. A questão prende-se com a sempre delicada relação da Igreja com a sexualidade. Ou devo dizer: a sempre delicada interpretação que a sociedade faz do discurso da Igreja Católica no que diz respeito à sexualidade. O horror da classe bem-pensante ocidental tem a ver com as declarações pontifícias acerca do uso do preservativo. Suponho que as boas mentes estariam à espera que o Papa não abordasse o tema ou, na melhor das hipóteses, proferisse qualquer coisa diferente daquilo que é a posição da Igreja, nesta matéria. Breaking news: a Igreja deve preocupar-se mais com a sua coerência de pensamento do que em agradar aos ateus deste mundo.

É um facto inelutável que a SIDA é uma tragédia em África (mais uma). É também evidente que o uso do preservativo pode prevenir a sua propagação. Simplesmente, as condições sociais, culturais e de saúde pública não permitem que o uso do preservativo, por si só, possa servir de muito. Ou que, entre tantas tragédias, seja uma prioridade absoluta para os próprios africanos. Antes de mais, seria necessário um revolução educacional e de mentalidades. E, antes dessa, a erradicação da fome. É precisamente a Igreja Católica que, com a sua acção contínua, empenhada, única e, muitas vezes, vital, mais luta nesse sentido.

Aqueles que julgam que as palavras do Papa são, elas mesmas, um escândalo, esquecem o escândalo maior: que se condene e abandone um continente inteiro às mãos de uma corja política, sem escrúpulos. E, além disso, sugerem, subrepticiamente, uma certa diminuição intelectual dos africanos mas eles seguirão ou não as propostas da Igreja, como qualquer outra pessoa em qualquer outro continente (ou seja, muito pouco, a este respeito). Transformam-nos em seres desprovidos de vontade própria. Ignoram que eles estão mergulhados num caldo cultural muito forte, peculiar e antigo. Os africanos continuarão a comportar-se como lhes aprouver, na medida do possível. O Papa, muito simplesmente, propõe-lhes uma forma radicalmente nova de encarar a sexualidade e, mais do que isso, a afectividade.

publicado por bmptavares às 21:13
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Quinta-feira, 19 de Março de 2009

Quando a Arte era Arte XXXIII - Ópera

 

Nessum Dorma (Turandot), de Giacomo Puccini, Giuseppe Adami e Renato Simoni, por Luciano Pavarotti

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publicado por bmptavares às 14:10
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Quarta-feira, 18 de Março de 2009

Quando a Arte era Arte XXXII - Música Clássica

 

Montequios e Capuletos (ou a Dança dos Cavaleiros), Romeu e Julieta, de Sergei Prokofiev

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publicado por bmptavares às 01:38
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