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Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2009

Saramago: a infalibilidade do Nobel

 

"Os senhores cardeais e os senhores bispos, incluindo obviamente o papa que os governa, não andam nada tranquilos. Apesar de viverem como parasitas da sociedade civil, as contas não lhes saem. Perante o lento mas implacável afundamento desse Titanic que foi a igreja católica, o papa e os seus acólitos, saudosos do tempo em que imperavam, em criminosa cumplicidade, o trono e o altar, recorrem agora a todos os meios, incluindo o da chantagem moral, para imiscuir-se na governação dos países, em particular aqueles que, por razões históricas e sociais ainda não ousaram cortar as sujeições que persistem em atá-los à instituição vaticana. Entristece-me esse temor (religioso?) que parece paralisar o governo espanhol sempre que tem de enfrentar-se não só a enviados papais, mas também aos seus “papas” domésticos. E digo ainda mais: como pessoa, como intelectual, como cidadão, ofende-me a displicência com que o papa e a sua gente tratam o governo de Rodriguez Zapatero, esse que o povo espanhol elegeu com inteira consciência. Pelos vistos, parece que alguém terá de atirar um sapato a um desses cardeais."

 

O excerto acima foi retirado de um artigo maior, publicado no blog associado à Fundação Saramago. O emérito escritor, aparentemente, está senil. Poderão contrapor que os seus ditos e escritos nunca fizeram muito sentido e, por isso, a senilidade está-lhe há muito associada. Bom, talvez. Durante um longo período o senhor sofria apenas de uma estranha mas comum forma de ilusão e cegueira (olha a ironia). Agora não diz coisa com coisa. Por um lado, refere a aparente derrocada da Igreja Católica (um sonho antigo da criatura) mas, por outro lado, atribui-lhe uma pujança capaz de amedrontar governos. E se os governos a temem, não será por que as pessoas ainda lhe conferem algum crédito, na defesa de certos valores morais?

 Não sei se o senhor estará recordado que há muito tempo se deu esse curioso fenómeno que atende pelo nome de separação da Igreja do Estado (compreendo que o senhor prefira a modalidade "eliminação da Igreja pelo Estado"). A Igreja Católica (ou qualquer outra, bem como qualquer instituição, movimento ou conjunto de pessoas) tem todo o direito de tentar fazer valer os seus pontos de vista junto dos governos. E estes não estão livres de serem tratados com displicência, temor, carinho, ódio, nojo. É assim que funcionam as democracias. Eu sei que o nobilíssimo Nobel não está familiarizado com o tema mas eu explico. A Democracia é aquela invenção esquisita que lhe permite desancar sem dó na Igreja, publicar os seus disparates e ainda receber dinheiro por isso. É uma coisinha incómoda quando é também utilizada por aqueles de quem não gostamos ou cujas opiniões desprezamos. 

 

Quanto a viveram "como parasitas da sociedade civil" tenho apenas três palavrinhas: CASA DOS BICOS! Pois é, diz-lhe alguma coisa? É que para a Igreja só contribui quem quer e só dá ouvidos quem está nessa disposição; já para o Senhor Saramago contribuímos todos, gostemos ou não.

 

publicado por bmptavares às 15:58
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