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Sábado, 17 de Janeiro de 2009

Politicamente Correcto: a praga dos tempos modernos

O Príncipe Harry é um desbocado? Talvez. Mas é também o mais interessante e consistente possível sucessor da Rainha Isabel II. Enquanto o Príncipe Carlos se diverte a transformar Aston Martin em frigideiras e plantar ervilhas biológicas em Highgrove e o Príncipe William perde cabelo e balbucia dois ou três lugares comuns, o Príncipe Harry dá sinais de actividade cerebral dentro da cabeça. Tinha esta ideia há muito, mas fiquei ainda mais convencido depois de assistir a uma entrevista televisiva, que passou aqui há uns anos: enquanto o mais velho divagava sem clareza pelas respostas às perguntas do entrevistador, Harry mostrava-se muito mais desenvolto e acertivo.

Vem isto a propósito da mais recente polémica envolvendo este último. Numa filmagem pessoal sobre a sua partida para o Afeganistão, o Príncipe apelidou de "paki" (diminuitivo que designa cidadãos paquistaneses ou com ascendência paquistanesa) um seu colega e, mais tarde, voltou a brindá-lo com o epíteto de "cabeça de trapos". Ter-se-á também referido aos homossexuais como "bichas". Depois da celeuma levantada, Harry teve que pedir desculpas públicas e até o Primeiro-Ministro considerou "inaceitáveis" tais expressões. Excuso-me a comentar o bom ou mau gosto dos ditos. Aqui o essencial é o que está para lá disso. O que o Príncipe disse ou não é apenas acessório. O que está realmente em causa é a praga a que se convencionou chamar "politicamente correcto" e como isso afecta a forma como falamos e nos comportamos. O que nasceu com o intuito de combater as desigualdades e a promover os direitos humanos tornou-se ele mesmo numa insuportável fonte de estigmatização e de diferenciação. O sentimento paternalista do homem ocidental (que vive corroído por pesados complexos de culpa relativamente às minorias) diminui o outro e apouca a diferença que lhe constitui a própria identidade. Os eufemismos serviram sempre para causar enganos e ilusões. Aqui não será diferente.

Para lá desse problema, surge um outro: até que ponto o "politicamente correcto" se materializa numa afronta à liberdade individual e de expressão. Quem tem a qualidade moral - chamemos-lhe assim - para decretar o que se deve ou não dizer? Quem decide o que separa o Bem do Mal? Exemplifico: Obama é preto ou afro-americano? Porque é que é mau dizer que o novo Presidente dos EUA é preto e/ou negro e é melhor chamá-lo afro-americano? Não encerra, do mesmo modo, esta última expressão, uma infinita condenação à diferença? A esmagadora maioria dos negros americanos nunca esteve em África, nem sequer sabe apontá-la num mapa. É como se os voltassem a marcar com ferros quentes, assinalando a sua origem remota.

Tive um professor que declarava, com ar sério, o racismo intrínseco à raça lusitana. Dizia ele que expressões como "fome negra" ou "trabalhar como um negro" perpetuavam os estereótipos sobre os negros. Galopava, então, nas ondas do entusiasmo e, aplaudido pelos alunos, avançava: tudo o que é mau surge associado ao negro. Eu, sem emitir um pio, pensei andar enganado a vida toda. É que eu pensava que esse lado tenebroso associado ao negro tinha mais a ver com a dicotomia dia/noite do que com os desgraçados dos africanos. Por aqui se vê quem tinha, realmente, preconceitos muito definidos....

Este é um assunto a que voltarei com mais tempo.

publicado por bmptavares às 04:46
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