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Sexta-feira, 20 de Março de 2009

Quando a Arte era Arte XXXIV - Poesia

Seus Olhos

Seus olhos - se eu sei pintar
O que os meus olhos cegou -
Não tinham luz de brilhar.
Era chama de queimar;
E o fogo que a ateou
Vivaz, eterno, divino,
Como facho do Destino.

Divino, eterno! - e suave
Ao mesmo tempo: mas grave
E de tão fatal poder,
Que, num só momento que a vi,
Queimar toda alma senti...
Nem ficou mais de meu ser,
Senão a cinza em que ardi.


                       Almeida Garrett
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publicado por bmptavares às 21:33
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Sexta-feira, 13 de Março de 2009

Quando a Arte era Arte XXX - Poesia

Poema à Mãe

 

No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe

Tudo porque já não sou
o retrato adormecido
no fundo dos teus olhos.

Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais.

Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.

Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura.

Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos.

Mas tu esqueceste muita coisa;
esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!

Olha — queres ouvir-me? —
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;

ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;

ainda oiço a tua voz:
          Era uma vez uma princesa
          no meio de um laranjal...


Mas — tu sabes — a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber,

Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.

Boa noite. Eu vou com as aves. 

                                      Eugénio de Andrade

 


 

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publicado por bmptavares às 15:27
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Sexta-feira, 6 de Março de 2009

Quando a Arte era Arte XXV - Poesia

(Maria, a mãe-virgem)

 

Qual sarça de Moisés que verde ardia,

Carro de Elias que o esplendor cercava,

Nas chamas os verdores conservava,

Nas luzes sem estrago os céus corria;

 

Qual o forno que em chamas só luzia

E todo labaredas não queimava,

Jerusalém que a chama circundava

E de um muro de fogo se cingia,

 

Assim Maria, carro luminoso,

Forno brilhante, ardente sarça amena,

Jerusalém que em fogo ilustra o barro,

 

Sem risco, eclipse, horror penoso,

No ardor, na chama, no pavor, na pena,

É Jerusalém, forno, sarça e carro.

 

                                           Francisco de Vasconcelos

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publicado por bmptavares às 14:25
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Sexta-feira, 27 de Fevereiro de 2009

Quando a Arte era Arte XXI - Poesia

Impressão Digital

 

Os meus olhos são uns olhos.

E é com esses olhos uns

que eu vejo no mundo escolhos

onde outros, com outros olhos,

não vêem ecolhos nenhuns.

 

Quem diz escolhos diz flores.

De tudo o mesmo se diz.

Onde uns vêem luto e dores

uns outros descobrem cores

do mais formoso matiz.

 

Nas ruas ou nas estradas

onde passa tanta gente,

uns vêem pedras pisadas,

mas outros gnomos e fadas

num halo resplandecente.

 

Inútil seguir vizinhos,

querer ser depois ou ser antes.

Cada um é seus caminhos.

Onde Sancho vê moinhos

D. Quixote vê gigantes.

 

Vê moinhos? São moinhos.

Vê gigantes? São gigantes.

 

                               António Gedeão

 

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publicado por bmptavares às 14:19
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Sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2009

Quando a Arte era Arte XVI - Poesia

Fermoso Tejo Meu, Quão Diferente

 

Fermoso Tejo meu, quão diferente

te vejo e vi, me vês agora e viste!

Turvo te vejo a ti, tu a mim triste,

claro te vi eu já, tu a mim contente.

 

A ti foi-te tocando a grossa enchente

a quem teu largo campo não resiste;

a mim tocou-me a vista em que consiste

o meu viver contente ou descontente!

 

Já que somos no mal participantes,

sejamo-lo no bem. Oh, quem me dera

que fôramos em tudo semelhantes!

 

Mas lá virá a fresca Primavera!

Tu tornarás a ser quem eras dantes,

eu não sei se serei quem dantes era.

 

                                     Rodrigues Lobo

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publicado por bmptavares às 17:26
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Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2009

Quando a Arte era Arte XI - Poesia

Ó sino da minha aldeia

 

Ó sino da minha aldeia,

Dolente na tarde calma

Cada tua badalada

Soa dentro da minha alma.

 

E é tão lento o teu soar,

Tão como triste da vida,

Que já a primeira pancada

Tem o som de repetida.

 

Por mais que me tanjas perto

Quando passo, sempre errante,

És para mim como um sonho,

Soas-me na alma distante.

 

A cada pancada tua,

Vibrante no céu aberto,

Sinto mais longe o passado,

Sinto a saudade mais perto

                                                                            

                                                           Fernando Pessoa (5-8-1921)

 

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publicado por bmptavares às 16:00
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Sexta-feira, 6 de Fevereiro de 2009

Quando a Arte era Arte VI - Poesia

Ai, flores, ai, flores do verde pino, El-Rei D. Dinis

Ai, flores, ai, flores do verde pino,
se sabedes novas do meu amigo?
           Ai, Deus, e u é?

Ai, flores, ai, flores do verde ramo,
se sabedes novas do meu amado?
           Ai, Deus, e u é?

Se sabedes novas do meu amigo,
aquel que mentiu do que pôs comigo?
           Ai, Deus, e u é?

Se sabedes novas do meu amado,
aquel que mentiu do que mi à jurado?
           Ai, Deus, e u é?

--- Vós me preguntades polo vosso amigo?
E eu ben vos digo que é sano e vivo.
           Ai, Deus, e u é?

Vós me preguntades polo vosso amado?
E eu ben vos digo que é vivo e sano.
           Ai, Deus, e u é?

E eu ben vos digo que é sano e vivo
e seerá vosco ante o prazo saido.
           Ai, Deus, e u é?

E eu ben vos digo que é vivo e sano
e seerá vosco ante o prazo passado.
           Ai, Deus, e u é?

                              

 

 

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publicado por bmptavares às 14:47
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