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Terça-feira, 19 de Janeiro de 2010

As carreiras

Leio na Sábado, a entrevista de Mário Nogueira. Por entre as vacuidades do costume, do politicamente correcto e de uma certa deselegância em relação à anterior ministra, ficou a perceber-se que, ao fim e ao cabo, todo o barulho feito pelos sindicatos se resumia a uma mesquinha questão de dinheiro. Por outro lado, ficamos bastante esclarecidos em relação ao tipo de progressão na carreira que os senhores professores preferem: o Sr. Nogueira tem 31 anos de serviço e é professor de último escalão. Só gostava de saber uma coisa: destes 31 anos de serviço, quantos foram efectivamente passados a dar aulas?

publicado por bmptavares às 04:20
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Sábado, 9 de Janeiro de 2010

Para quem é, bom chega

Com este novo acordo, a classe dos professores arrisca-se a entrar para o Livro dos Recordes do Guinness, como a classe com mais profissionais a atingirem o topo da carreira: há volta de uns 85%. Com professores tão bons, um Ministério tão pedagogicamente avançado, os Magalhães e alunos cada vez com melhores resultados, não se percebe como é que Portugal insiste em manter-se na cauda dos rankings internacionais relativos à educação. Suspeito que deva haver por aí alguma cabala...

publicado por bmptavares às 16:32
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Segunda-feira, 25 de Maio de 2009

Ideologias

Então parece que o senhor Primeiro Ministro foi apodado de fascistas por alunos da Escola António Arroio! Espanta-me que a perfeita máquina de propaganda do governo não tenha acautelado esta hipótese. Já não me espanta tanto, a pequena manifestação. É que conheço bem a tribo: quando se estuda Antropologia em Coimbra aprende-se a lidar com esta malta. E, como são bastante previsíveis, rapidamente lhes reconhecemos os métodos, o discurso e o cheiro (sim, o cheiro: uma mistura desagradável de pura sujidade e ganzas).

A este propósito li um post interessante no blog www.cachimbodemagritte.blogspot.com/, assinado pelo Carlos Botelho, do qual transcrevo um excerto:

 

"Que querem?... Há quarenta anos estas cenas seriam impensáveis - mas há quarenta anos (e há trinta...), os alunos sabiam quem era Marx, Hitler tinha sido derrotado só vinte anos antes e havia dois blocos no mundo... Aqueles alunos (e espero não ser injusto ao dizer isto) passam por uma espécie de "revolta" para com um horizonte indefinido (ainda que povoado por obstáculos bem reais, concretos), uma "revolta" sem objecto ideológico determinado.
No entanto, à sua indeterminação ideológica também não corresponde, diante de si, uma determinação ideologicamente consistente. Diante de si têm apenas o rosto de Sócrates. Tudo se passa como se aquele rosto encarnasse apenas uma vontade. Uma vontade que se esgota a si mesma. Não há ali um qualquer construto "ideológico" ou "programático" que fornecesse, de um modo que não fosse meramente atemático, um quadro em cujos limites aquela vontade se exercesse".
 
Ao contrário do que pensa Carlos Botelho, eu creio que esta gente tem objectos ideológicos bem definidos. Eles podem não saber o que dizem (aparentemente, não sabem o que é o fascismo ou o futurismo...), mas sabem bem o que querem. O facto do vaiado ter sido Sócrates é meramente circunstancial. Ou seja, a vaia e os insultos aconteceriam com qualquer governante do PS, PSD ou CDS. A "revolta" dos alunos não é contra este governo, nem é por causa da crise: é qualquer coisa de muito mais duradouro e antigo. É algo profundamente ideológico. Eles estão muitíssimo bem formatados, dentro de um quadro programático igualmente bem definido, quanto a isso não haja ilusões. Aquele discurso é bem conhecido e antigo e não é difícil saber de onde vem. E é o resultado da imensa hegemonia que a extrema-esquerda exerce em determinados segmentos do ensino, em Portugal, nomeadamente a arte e as ciências sociais.
 

 

publicado por bmptavares às 02:37
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Sexta-feira, 22 de Maio de 2009

Má educação

O estado da educação é miserável mas ninguém parece muito preocupado. De facto, é muito mais importante e revelador o que se passa com as chamadas provas de aferição do que o episódio da professora tresloucada. Explico: as provas de aferição, como estão a ser realizadas, são apenas um pretexto para equilibrar as estatísticas e nada mais. estas provas são mais fáceis do que os testes feitos durante o ano, não contam para a avaliação e nem sequer servem para "aferir" seja o que for. São, portanto, pura perda de tempo e de dinheiro. O que significa que são o espelho do que é a política hoje em dia: fachada.

Já o caso das aulas de História com sexo é apenas uma questão de desequilíbrio psicológico da professora. Aqui, interessa  mais a simbologia do que os factos. Sobressai, antes de tudo, o corporativismo dos professores (aparentemente, as queixas existiam desde há 3 anos mas o Conselho Executivo nada fazia porque, como toda a gente sabe, não convém por em causa um "colega"). O facto de se ter falado de sexo é simplesmente irrelevante, serve apenas para ilustrar qualquer disfunção da professora. O mesmo se pasa com os erros de português: não entendo aqueles que se mostraram afectados por esse detalhe; é apenas uma amostra do que se produz nas universidades portuguesas. O mais grave é o entendimento que a senhora tem da relação entre os indivíduos de uma sociedade e que, aparentemente, transmite aos alunos. Ou seja, a qualidade das pessoas deve ser aferida pela extensão do seu percurso académico (muitos terão sorrido displicentemente, mas a verdade é que se trata de um traço comum na sociedade portuguesa e, quanto a mim, um bem desprezível. Basta vermos como pessoas e instituições fazem questão em deixar bem claro o título académico, sem dúvida uma das muitas singularidades portuguesas e bem demonstrativa de um certo novo-riquismo vigente; até mesmo aqueles que não são gostam de se passar por "senhor doutor", "senhor engenheiro", etc.). A ameaça pouco subtil relativamente à correcção dos testes é apenas um traço de falta de carácter, nada mais.

publicado por bmptavares às 17:28
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Domingo, 8 de Março de 2009

Magalhaens

 

Os erros ortográficos e de sintaxe detectados num dos programas do Magalhães são apenas o espelho da forma como foi conduzido o processo: mal elaborado, implementado à pressa para mostrar serviço (apesar dos atrasos na entrega dos ditos às criancinhas), sem  nenhum estudo pedagógico que o sustente (a propósito, lembro-me de uma reportagem passada na SIC, onde se mostrava uma escola finlandesa: havia apenas um computador na sala de aula, utilizado com parcimónia pela professora. Este exemplo fica à atenção daqueles que gostam de citar a Finlândia como modelo a seguir.), falta de formação concedida as professores para lidarem com esses novos conteúdos. Enfim, o Governo faz lembrar aqueles novos-ricos que, na ânsia de ostentarem os seus brinquedos tecnológicos e por presunção, se esquecem de ler os manuais de instruções. Resultado: acabam por fazer figura de parvos à frente dos outros e passam por ignorantes, foleiros e deslumbrados.

 

publicado por bmptavares às 17:45
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Segunda-feira, 9 de Fevereiro de 2009

O aplauso à ignorância

Os concursos de cultura geral que povoam as grelhas televisivas dão, em geral, uma triste imagem dos concorrentes. Através deles dão também uma triste imagem do sistema de ensino, em Portugal. Podia dar incontáveis exemplos de ignorância aterradora, dos mais rematados disparates proferidos com natural inocência por representantes de todos os extractos sociais e profissionais.

No caso vertente, trata-se de um aluno do curso de Medicina, supostamente a elite dos estudantes, a mais fina-flor produzida pelo ensino nacional. Pois o garoto que, com apenas dezanove anos, já estava envolvido num projecto de investigação (o que ainda piora mais as coisas), demonstrou à saciedade a sua ignorância e, simultaneamente, a sua presunção. Uma das questões do concurso relacionava-se com Descartes e a sua famosa tirada "penso, logo existo". Depois de responder erradamente, o menino afirmou convictamente que o filósofo francês tinha escrito o livro "O Erro de Descartes" (o apresentador não conseguiu disfarçar um sorriso). Mas a coisa continuou alegremente: questionado sobre qual era o seu apóstolo preferido, respondeu ser David (era assim que se chamava a luminária). Informado que não havia nenhum apóstolo de nome David e que se tratava de outra personagem bíblica, lá concordou. Em vez de se calar e esconder a sua ignorância sobre o assunto, continuou: a tal história de David e Golias não envolvia o tendão de Aquiles?

Os exemplos aqui são meramente acessórios. A questão essencial prende-se com a atroz falta de cultura geral. O sistema de ensino preocupa-se essencialmente com a transmissão de conhecimento "académico" e técnico. E, mesmo assim, de forma deficiente. Esta forma de ensinar (?) direcciona os alunos ou para o total desprezo pelo conhecimento ou para um conhecimento de manual, que não assimilam.

Ainda retomando o exemplo acima, eu acho extraordinário que um aluno possa cursar Medicina sem nunca ter estudado Descartes, durante o seu percurso académico. O problema está na forma e no conteúdo dos currículos escolares. Eles são desenhados por burocratas das "ciências da educação", que eliminam qualquer resquício de dificuldade ou de rigor. Os clássicos são ignorados e, mais do que isso, desprezados, pois a sua exigência pode traumatizar as frágeis mentes dos alunos. O resultado é a produção de gerações de analfabetos funcionais, gente sem qualquer instrumento válido que lhe permita descodificar o mundo à sua volta. Gente que, ao contrário do que genericamente se pensa, se torna mais fácil de manipular e enganar. Gente que se encontra com cada vez menos armas para lutar pela sua liberdade individual. É a própria base da Democracia que se deteriora.

publicado por bmptavares às 14:37
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Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009

Cuba Libre

 

 

 

Com o alto patrocínio da FENPROF e do professor Mário Nogueira, a Embaixada de Cuba em Lisboa comemora os 50 Anos da Revolução, promovendo um concurso dirigido a crianças e jovens. O prémio: uma viagem a Cuba. Os temas: coisas bonitas, pá, como "Che, o guerrilheiro heróico" ou "Os Cinco Heróis - jovens lutadores, prisioneiros nos EUA". A gente ri-se mas o assunto é sério: um sindicato, que representa milhares de professores acha que o sistema político em Cuba se aproxima do paraíso na Terra e que só não é melhor por culpa do bloqueio americano.

Mário Nogueira diz que o sindicato está solidário com um povo que tem sido massacrado com o bloqueio e que, por isso, acha natural o apoio prestado. Mas há mais: um tal Luís Lobo, membro do Secretariado Nacional diz: "Achámos a iniciativa interessante, para os estudantes saberem quem foi Che Guevara: ele foi um herói, um revolucionário". E um assassino sanguinário, já agora, com um gosto particular por fuzilamentos. Segue a alucinação: "O bloqueio americano está a prejudicar os cidadãos cubanos, sobretudo na educação". Mais à frente, esclarece que a FENPROF participa "no maior congresso de pedagocia do mundo (não faz por menos) organizado por Cuba (isto, realmente, explica muita coisa...), onde se discute o que existe de mais avançado em educação no mundo".

Ó homem, decida-se: ou bem que os cubanos têm uma educação de merda, à conta do bloqueio, ou bem que têm o que há de mais avançado no mundo (se bem que, desconfio, as duas coisas sejam uma só).

A coisa torna-se tão sórdida e grotesca que até o desgraçado que ganhou o concurso teve que ser submetido a uma entrevista pessoal, assim ao bom estilo estalinista. Aparentemente, a criatura passou no exame e já tem viagem marcada para Cuba.

 

Por esta ordem de ideias, qualquer dia temos aí concursos semelhantes, com bonitos e estimulantes temas: "Conhece, agora, os amanhãs que cantam, em Pyongyang" ou "Hugo Chávez, o arauto da Democracia Sul-Americana" ou ainda "Laos - o lado certo do Sudeste Asiático".

Num país decente, qualquer sindicato ou outro organismo com responsabilidades sociais tão extensas, que defendesse de forma tão desabrida e acrítica um regime totalitário, seria fortemente censurado. Aqui, é apenas um "fait-divers", coisa sem importância. Cuba é o melhor dos mundos: não há presos políticos, não há medo e fome, não houve fuzilamentos, não há fugas desesperadas, nem uma total falta de liberdade. Não há nada disso e Guevara e Fidel são heróis democratas.

Deve ser por isso que milhares de portugueses adoram passar férias em Cuba. As ditaduras devem ter um certo charme para quem vive em democracia, principalmente se forem vistas de um resort de luxo, onde os cidadãos do país não estão autorizados a entrar (parece que agora lhes foi concedida essa graça). Para um país sem vergonha, sindicatos à altura.

 

publicado por bmptavares às 21:24
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Quinta-feira, 13 de Novembro de 2008

Alunos e professores: estão bem uns para os outros? - Parte II

http://diario.iol.pt/sociedade/escola-ensino-historia-disparates-educacao-livro/1012263-4071.html

 

É evidente que disparates destes sempre existiram mas, convenhamos, que se tornam cada vez mais frequentes.

 

«(...)a exigência do sistema básico, é de facto pouca, e a estrutura em que a escola está estruturada facilita e não cria hábitos de estudo, nem o pensamento de estudar para singrar na vida».

«Esta é uma falha do nosso sistema de ensino, talvez a principal de todas, e era isto que era preciso atalhar», apontou.

 

Luís Mascarenhas Galvão

 

publicado por bmptavares às 03:02
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Alunos e professores: estão bem uns para os outros?

Gosto muito de manifestações. Acho pitoresco, divertido e, acima de tudo, revelador. É evidente que uma classe profissional ou social não pode ser caracterizada exclusivamente pela forma como se manifesta (até porque, em Portugal, com a total hegemonia ideológica dos sindicatos, as coisas são bastantes iguais). No entanto, têm um certo interesse sociológico: dá-nos uma amostra vasta e esclarecedora do que são os portugueses.

 

O que releva da patética e vulgar manifestação dos alunos em Fafe é a boçalidade e grosseria dos meninos e meninas, a acenar à frente das câmaras de televisão, aos encontrões. São, na generalidade, filhos da classe média, alunos que prosseguirão os seus estudos e que, no futuro, ocuparão um cargo no mercado de trabalho. Há coisas que se explicam com a rebeldia própria da juventude mas há outras coisas que são mais fundas, que estão entranhadas. Basta ouvi-los falar aos jornalistas para ficarmos com uma noção esclarecida acerca das suas capacidades de expressão. São o fruto de uma educação que se escandaliza com o rigor e com o trabalho, que abomina o estudo (no sentido clássico do termo) e cuja idolatria pela tecnologia só tem um lado fútil e lúdico. Generalizações à parte, são estes os jovens que saem das escolas com graves dificuldades em coisas tão básicas como a leitura e a escrita. Falo por experiência própria: tenho alguns colegas de trabalho que não conseguem interpretar aquilo que estão a ler e cuja única habilidade na escrita é teclar bem rápido no MSN.

A propósito disto, nem um pio dos senhores professores (apesar de muitos deles reconhecerem estes traços na esmagadora maioria dos seus alunos); a propósito de mediania e mediocridade nem um ai. Tudo isto é, naturalmente, secundário. O que importa é impedir a avaliação, essa terrível e inadmissível discriminação. Onde é que já se viu, distinguir os melhores e fazê-los progredir? Cá para mim, isto deve ser coisa dos americanos...

publicado por bmptavares às 02:36
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Domingo, 9 de Novembro de 2008

Greve dos Professores II

A avaliação dos professores devia ser feita por uma entidade exterior à escola e ao ministério, liberta das pressões do corporativismo. A meu ver, nenhuma avaliação feita por pares profissionais pode dar resultado. Não passa pela cabeça de ninguém que sejam os alunos a avaliarem os colegas, pois não?

publicado por bmptavares às 03:23
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