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Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2009

Carnaval Português

 

Para começo de conversa esclareço que não gosto de Carnaval. É uma coisa antiga, que vem desde criança. A máscara sempre me incomodou, por medo, pudor ou, simplesmente, sentido do ridículo. Mas não censuro quem se diverte travestindo-se ou esmagando ovos na cabeça dos outros. O meu desafecto pelo Carnaval não chega ao extremo de me impedir de assistir a um cortejo, mas acirra um certo cinismo latente. É que o povo português não é talhado para o Carnaval. Quero dizer, não é talhado para o Carnaval que temos.

 

 

Os desfiles tornam-se, assim, procissões deprimentes. As crianças demonstram tal falta de vitalidade, ataviadas dentro dos seus fatinhos, que quase confrange (agora até parece obrigatório as escolas participarem na coisa). Os travestis peludos e debochados são, antes de tudo, um hino à boçalidade e ao mau gosto. Se o exercício funciona como algum escape psicológico, deixo à avaliação dos especialistas. Os carros alegóricos são um ultraje à estética. Com algumas honrosas excepções, nas quais se vislumbra uma ponta de profissionalismo e empenho, os outros são simplesmente FEIOS: montados sobre carrinhas das obras ou tractores, exibindo cartazes de fabrico caseiro com erros ortográficos, carregando figurantes alienados, bêbados ou, simplesmente, contrariados. (Exceptuo deste lote, os desfiles realizados nas pequenas vilas e aldeias deste país: esses sim, possuem uma certa ingenuidade genuína; aí, o Carnaval ainda é uma festa de partilha e mantém o seu princípio original).

 

 

 

E o que dizer da pouco natural relação das portuguesas com o samba? Porque é que insistem em expôr-se ao ridículo? Raparigas demasiado pálidas, demasiado flácidas e demasiado púdicas, ousam alguns passos rígidos, por entre plumas e lantejoulas. Na assistência, um mundo de perucas coloridas das lojas de chineses, óculos de sol de plástico, roupas do baú da avó, cowboys de bigode a carvão, princesas de vestidos três números acima, homens-aranha fabricados em massa na China, balões de água (a pior invenção de sempre, inútil e irritante), serpentinas, apitos, senhoras com as malas bem apertadas debaixo do braço, homens de braços cruzados, gente pouco habituada a estes requebros do corpo que ensaia uns passos de dança, bate palmas, esconde o sorriso desdentado e envergonhado, diz adeus às câmaras de televisão e, se tiver sorte, manda beijinhos à prima que está na Suíça.

 

 

Dir-me-ão que é um Carnaval popular. Será, concerteza. Mas eu preferia um Carnaval genuinamente português. Um Carnaval com gigantones, com caretos, com os "entrudos" beirões. Cada latitude tem o seu Carnaval: não o poderemos gozar inteiramente se insistirmos nesta espécie de híbrido sub-tropical e Big Show SIC, tal como aconteceria se copiássemos o de Veneza.

 

 

Assim, estamos condenados a um triste desfile das nossas fragilidades. E uma época de alegria e desregramento lembra-nos apenas da nossa tristeza.

 

publicado por bmptavares às 02:26
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Sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2009

Partidas de Carnaval

 

Questão: o problema são as meninas despidas ou a piadinha sobre o Magalhães?

Questão: é a primeira vez que surgem imagens de carácter sexual nos desfiles de Carnaval?

Questão: o Ministério Publico decidiu intervir por vontade própria ou houve alguma denúncia?

Questão: se houve denúncia, quem é que se deu a tamanho trabalho?

Questão: se não houve denúncia, o Ministério Público não tem mais o que fazer?

Questão: o Ministério Público só actua com celeridade em casos que não interessam nem ao Menino Jesus?

Questão: pode esta decisão ser considerada censura ou, pelo menos, um constrangimento à liberdade de expressão?

 

publicado por bmptavares às 16:27
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