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Quarta-feira, 30 de Setembro de 2009

Novo desporto nacional: bater no Presidente da República.

A análise ou o comentário político em Portugal é como tudo o resto: fraquinho. Se um diz que é x, então o outro afirma que é x + 1. Outro ainda afirmará que os outros dois têm razão, mas há que ter em conta que a coisa é tão grave que pode ser 2 X (x+1). Ou seja, até pode haver variantes mas quando um faz determinada análise é difícil encontrar qualquer outro que não a confirme. Com o caso das escutas e da respectiva acção do Presidente aconteceu isso: todos concordam que o Professor Cavaco Silva procedeu mal, foi desnecessariamente enigmático, falou demasiado tarde e, sem dúvida, pôs em causa a sua reeleição. Como resulta evidente, não concordo com nada disso. Penso, antes de mais, que há um grave problema de interpretação da parte de comentadores e jornalistas: muitos, simplesmente, não percebem o que disse o Presidente, outros - por variadas razões - fingem que não entendem. Em comum têm o ar sério e circunspecto que a ocasião parece justificar.

Primeiro ponto: as desconfianças do Presidente não parecem totalmente destituídas de sentido, tendo em conta a actuação recorrente do Governo e do PS. Nestes útilmos quatro anos, o Governo criou um clima de pressão contínua sobre diversos órgãos e entidades, sem mostrar escrúpulos de qualquer espécie.

Segundo ponto: é evidente que toda esta história aponta para uma tentativa de enfraquecer o Presidente, lançando lama para cima da única figura institucional que ainda resiste com uma certa dignidade. Só assim se explica que uma história com mais de 1 ano salte para as primeiras páginas dos jornais uma semana antes de eleições legislativas, nomeadamente num jornal que não esconde as suas simpatias políticas (aliás, foi curioso que a RTP tenha convidado precisamente o director do jornal envolvido para comentar a declaração do Presidente...). A vontade do PS ficou clara como água na noite eleitoral quando irromperam os gritos de "A luta continua, Cavaco para a rua!". 

Terceiro ponto: aqueles que defendem que o Presidente devia ter falado antes das eleições pensem nisto: se o Presidente tivesse dito então aquilo que disse ontem, soaria como um ataque despudorado ao Governo e ao PS. Seria então um óptimo pretexto para Sócrates fazer aquilo que melhor sabe fazer: vitimizar-se e fazer passar a imagem de que o Presidente fazia campanha aberta em favor do PSD.

Quarto ponto: para aqueles que consideram duras as palavras de Cavaco Silva (e nada habituais num homem geralmente sereno e discreto): alguém, com peso suficiente, necessita pôr um travão à desfaçatez de Sócrates e companhia. Muito ponderado tem sido o Presidente, pois perante actos como o que aconteceu na TVI ou o passado nebuloso do Primeiro-Ministro, em qualquer país civilizado era o suficiente para fazer cair um governo. Convenhamos que, por muito menos, Jorge Sampaio dissolveu o Parlamento.

Quinto ponto: não creio que Cavaco Silva tenha ficado desacreditado com esta história. Primeiro, porque não será uma história mirabolante de escutas e espiões que apagará um passado impoluto e recto; e depois, porque Sócrates vai precisar muito da mediação de Cavaco Silva para conseguir consensos no Parlamento. Com o novo arranjo político, o Presidente da República será, mais do que nunca, o garante da estabilidade.

publicado por bmptavares às 02:35
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