"Speak softly and carry a big stick" Theodore Roosevelt

.posts recentes

. ...

. Subtilezas

. O Incrível Hulk

. Quando a Arte era Arte 4 ...

. Stars

. Às escuras

. Al Capone

. Anda tudo maluco

. I beg your pardon?

. Não, não é estranho

.arquivos

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

Quarta-feira, 30 de Setembro de 2009

Novo desporto nacional: bater no Presidente da República.

A análise ou o comentário político em Portugal é como tudo o resto: fraquinho. Se um diz que é x, então o outro afirma que é x + 1. Outro ainda afirmará que os outros dois têm razão, mas há que ter em conta que a coisa é tão grave que pode ser 2 X (x+1). Ou seja, até pode haver variantes mas quando um faz determinada análise é difícil encontrar qualquer outro que não a confirme. Com o caso das escutas e da respectiva acção do Presidente aconteceu isso: todos concordam que o Professor Cavaco Silva procedeu mal, foi desnecessariamente enigmático, falou demasiado tarde e, sem dúvida, pôs em causa a sua reeleição. Como resulta evidente, não concordo com nada disso. Penso, antes de mais, que há um grave problema de interpretação da parte de comentadores e jornalistas: muitos, simplesmente, não percebem o que disse o Presidente, outros - por variadas razões - fingem que não entendem. Em comum têm o ar sério e circunspecto que a ocasião parece justificar.

Primeiro ponto: as desconfianças do Presidente não parecem totalmente destituídas de sentido, tendo em conta a actuação recorrente do Governo e do PS. Nestes útilmos quatro anos, o Governo criou um clima de pressão contínua sobre diversos órgãos e entidades, sem mostrar escrúpulos de qualquer espécie.

Segundo ponto: é evidente que toda esta história aponta para uma tentativa de enfraquecer o Presidente, lançando lama para cima da única figura institucional que ainda resiste com uma certa dignidade. Só assim se explica que uma história com mais de 1 ano salte para as primeiras páginas dos jornais uma semana antes de eleições legislativas, nomeadamente num jornal que não esconde as suas simpatias políticas (aliás, foi curioso que a RTP tenha convidado precisamente o director do jornal envolvido para comentar a declaração do Presidente...). A vontade do PS ficou clara como água na noite eleitoral quando irromperam os gritos de "A luta continua, Cavaco para a rua!". 

Terceiro ponto: aqueles que defendem que o Presidente devia ter falado antes das eleições pensem nisto: se o Presidente tivesse dito então aquilo que disse ontem, soaria como um ataque despudorado ao Governo e ao PS. Seria então um óptimo pretexto para Sócrates fazer aquilo que melhor sabe fazer: vitimizar-se e fazer passar a imagem de que o Presidente fazia campanha aberta em favor do PSD.

Quarto ponto: para aqueles que consideram duras as palavras de Cavaco Silva (e nada habituais num homem geralmente sereno e discreto): alguém, com peso suficiente, necessita pôr um travão à desfaçatez de Sócrates e companhia. Muito ponderado tem sido o Presidente, pois perante actos como o que aconteceu na TVI ou o passado nebuloso do Primeiro-Ministro, em qualquer país civilizado era o suficiente para fazer cair um governo. Convenhamos que, por muito menos, Jorge Sampaio dissolveu o Parlamento.

Quinto ponto: não creio que Cavaco Silva tenha ficado desacreditado com esta história. Primeiro, porque não será uma história mirabolante de escutas e espiões que apagará um passado impoluto e recto; e depois, porque Sócrates vai precisar muito da mediação de Cavaco Silva para conseguir consensos no Parlamento. Com o novo arranjo político, o Presidente da República será, mais do que nunca, o garante da estabilidade.

publicado por bmptavares às 02:35
link do post | comentar | favorito
|
Segunda-feira, 28 de Setembro de 2009

All together now...

1. Um Governo socialista que tenha que negociar e, por isso, legisle menos, não é um mau sinal (less is more);

 

2. O resultado do CDS pode obrigar Sócrates e encostar à direita;

 

3. Louçã ficou com um gostinho a amargo (a "derrota das políticas de direita" resultou na subida e ultrapassagem pelo partido mais à direita);

 

4. Aos comunistas nem lhes vale S. Jerónimo;

 

5. O PSD está numa encruzilhada: ou segue o rumo de Ferreira Leite (com ou sem ela) ou volta ao populismo bacoco e afunda ainda mais;

 

6. Será que ninguém desconfia de que o facto de termos mais de 30 deputados da extrema-esquerda mais radical e retrógrada terá alguma coisa a ver com o nosso atraso endémico (se contarmos com os "socialistas" do PS e "sociais-democratas" do PS e do PSD chegamos à conclusão que, no Portugal democrático, nunca tivemos um verdadeiro governo de direita, como existe ou existiu nos outros países europeus. Não é preciso ser um génio para descortinar aqui uma certa correlação).

publicado por bmptavares às 02:49
link do post | comentar | favorito
|

CDU - 2009

As usual, uma "grande vitória" dos trabalhadores...

publicado por bmptavares às 02:48
link do post | comentar | favorito
|

BE - 2009

AH! AH! AH! AH! AH! AH! AH!

 

Correr com o Américo Amorim vai ter que ficar para a próxima reencarnação!

publicado por bmptavares às 02:46
link do post | comentar | favorito
|

CDS-PP - 2009

Um resultado acima das expectativas. Boas notícias: ficaram à frente do BE. Más notícias: podem "salvar" o Governo Sócrates (conseguirá Paulo Portas resistir à tentação do poder?). Curioso é que Portugal deve ser o único país do mundo civilizado a ter 0.5% a separar um partido democrata-cristão de uma agremiação de trostskistas e radicais de vária espécie.

publicado por bmptavares às 02:42
link do post | comentar | favorito
|

PSD - 2009

Um resultado decepcionante. Eu realmente enganei-me: estava convencido que a forma  diferente de fazer política de Manuela Ferreira Leite poderia seduzir os eleitores. Mas afinal a sede de espectáculo, luz e cor falou mais alto. Neste particular, o problema não é exclusivamente português. Cada vez mais as eleições se ganham com imagem e marketing. O que não é necessariamente mau mas também não é seguramente bom. Arriscamo-nos a eleger políticos superficiais, sem princípios e mais preocupados em manterem-se no poder do que em solucionar problemas. Este é o maior handicap de Ferreira Leite.

Os resultados, analisados distrito a distrito, são curiosos. Por exemplo, nos distritos onde as eleições se decidem (LIsboa, Porto e Setúbal) o PSD obtém um péssimo resultado (respectivamente: 25.12%, 29.14% e 16.39%). Assim, não se ganham eleições. A análise habitual é a de que a esquerda "entra" melhor em eleitorados urbanos e mais informados. Primeiro obstáculo: está por provar que os eleitorados urbanos sejam mais esclarecidos! Na realidade, as votações nos distritos acima mencionados provêm sobretudo das grandes massas suburbanas, das cinturas das cidades. Com todo o respeito, não encontro aí maior clarividência política do que em Bragança ou Aveiro. O resultado "deste" PSD aí (e a consequente vitória "deste" PS) radica exactamente na percepção que essas pessoas têm dos candidatos: Manuela Ferreira Leite é a burocrata cinzenta, a contabilista que conta os tostões, é, em suma e usando o jargão da tribo, uma seca.

Já Sócrates é o arquétipo do homem suburbano, da nova classe média nacional: formação de fraca qualidade, discurso tipo livro de auto-ajuda, deslumbramento com gadgets tecnológicos, confusão entre modernidade e falta de valores, progresso e obra de fachada. É esta gente - que se delicia com os livros de Paulo Coelho e Stephanie Meyer, que mede o progresso pela área dos centros comerciais, pelos casamentos homossexuais "como na Holanda", que cede alegremente ao crédito porque o importante é manter a fachada (as férias na República Dominicana, o plasma de 130 cm, o monovolume) - que vota em Sócrates, que o reconhece como um dos seus. Para eles faz todo o sentido o discurso do "optimismo". Para eles, modernizar o país é ter um TGV, é o Magalhães, é ter um Primeiro Ministro sexy e cool e afastar tudo o que se assemelhe a rigor, contenção, sensatez. Por isso, talvez o resultado tivesse sido diferente para o PSD se o candidato fosse Pedro Passos Coelho, o equivalente social-democrata de Sócrates.

Votaram e ainda bem. Mas são co-responsáveis pelo descalabro que aí vem.

publicado por bmptavares às 02:11
link do post | comentar | favorito
|

PS - 2009

Valores recorde de desemprego, impostos elevados, despesa descontrolada, Estado a controlar 50% da riqueza produzida, dívida externa em níveis astronómicos, pressões sobre órgãos de comunicação social, histórias mal explicadas envolvendo o primeiro-ministro. E, aparentemente, nada disto foi suficiente para fazer os portugueses mudarem de rumo. Não há dúvidas que conquistar 36.5% depois de 4 anos disto, é obra (apesar das ajudinhas...).

A questão agora é: o que fará Sócrates com esta vitória? Segundo parece, formará um governo minoritário que fará pontuais acordos parlamentares. Vida difícil. Ou o argumento que Sócrates precisa para fazer aquilo que faz melhor: armar-se em vítima? O certo é que duvido que este governo dure 4 anos...

Mas o homem tem um lata descomunal. Depois de uma campanha feita à base de insultos (basta ver os blogs de apoio e saborear os epítetos com que mimaram a principal adversária ou as declarações do Sr. Junqueiro e do Ministro Augusto SS) vem agora falar em "vitória da decência". E claro que, mesmo em noite eleitoral, não resistiu a alfinetar o Louçã. São géneros. Aparentemente, apreciados.

publicado por bmptavares às 01:55
link do post | comentar | favorito
|

Back to business

Depois de mais de 2 meses de ausência volto a este blog. O regresso não é inocente: assim como foi a eleição de Obama que o iniciou, foi a reeleição de Sócrates que me fez voltar. Apesar das diferenças de escala, as duas figuras pertencem ao mesmo género de político: fútil, superficial, crente num Estado que sorve a riqueza criada (cada vez mais) mas que ganha eleições.

A razão pela qual deixei de escrever neste blog foi porque as coisas da política me começaram a soar demasiado rasteiras e estéreis. A razão que me fez voltar é que, os próximos tempos vão ser tempos interessantes...

publicado por bmptavares às 01:48
link do post | comentar | favorito
|

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Março 2010

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
11
12
13
14
15
17
18
19
20
21
22
23
25
26
28
29
30

.tags

. todas as tags

.links

blogs SAPO

.subscrever feeds