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Segunda-feira, 29 de Dezembro de 2008

And now something completely different...

 

"Almost Lover" - A Fine Frenzy

 

Actualmente, uma das minhas canções favoritas.

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publicado por bmptavares às 18:29
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Leituras III

 

 

Este livro é um Lobo Antunes classic. Mantém-se o estilo, a forma. Há quem não aprecie um e outro; já li algures que os seus livros são apenas esboços de romances, que os verdadeiros romances estão no fundo de uma gaveta. O estilo, de facto, não segue os cânones do romance: a escrita não é fluída e descritiva, as frases não têm começo nem fim, as personagens são vagas e difusas. Mas mais importante do que a forma é o que está lá dentro. E lá dentro, estão Portugal e os portugueses. Somos nós que estamos ali. Os nossos fantasmas, os nossos medos e desejos. Por tudo isto, Lobo Antunes, é o mais português de todos os escritores actuais. Porque só um português e em português (se) pode escrever assim.

O que é mais fascinante nos seus livros? São as pessoas comuns que ali estão. São personagens vulgares e, por isso, imprevisíveis e profundas.

Eu gosto deste estilo quebrado, em que as vozes das personagens se sobrepõem em camadas, num palimpsesto de vidas. Os factos não são claramente descritos, deixam ao leitor a tarefa de os subentender. Mais importante do que o que está escrito, é o que está nas entrelinhas.

 

 

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publicado por bmptavares às 18:12
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Os meus mortos são melhores do que os teus

Imagine-se um país que, ao longo de dias consecutivos, vê o seu território massacrado por centenas de rockets. E que esse país, depois de vários avisos para por fim à situação, resolve ripostar. Pensamos em legítima defesa, certo? Bom, mais ou menos... Se esse país for Israel, as coisas não são bem assim.

Enquanto o Hamas bombardeava o sul de Israel com 60 rockets por dia, não havia notícia. Assim que decidiu ripostar, saltou para as aberturas dos telejornais, foi acusado de terminar o cessar-fogo, de matar civis indiscriminadamente. Enfim, o costume. Para algumas pessoas, há uma escala de valores que se aplica às vítimas: há umas que são mais do que outras.

publicado por bmptavares às 17:19
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"Caso Esmeralda"

Os erros da Justiça podem arrasar a vida de uma pessoa. Nem sequer é necessário exemplificar com a situação extrema de um condenado à morte inocente. Veja-se o chamado "caso Esmeralda": o erro inicial foi nunca se ter feito cumprir a decisão judicial que atribui o poder paternal ao pai biológico. A opinião de cada um acerca do carácter do senhor é pouco importante. O mesmo relativamente ao seu estatuto social. Quem usa este argumento cai numa espécie de eugenia social: certos indivíduos não devem ser pais, porque são pobres, ignorantes e oportunistas.

No entanto, será "justo" remediar um erro com outro? Quero dizer: já se cometeu o erro de não entregar a criança ao pai, quando esta era um bébé; será legítimo, agora que a criança tem sete ou oito anos, cometer o mesmo erro ao retirá-la àqueles que ela reconhece como pais? Não estaremos a submeter a criança ao mesmo erro sendo que, agora, ela sofrerá muito mais, por ter já a noção da perda?

Há quem veja no pedido de indemnização pedido pelo pai biológico apenas um gesto de aproveitamento; eu não: o homem foi vítima da inabilidade. morosidade e passividade da Justiça e, por consequência, do Estado.

Já a criança devia fazer o mesmo, quando puder. Processar o Estado por este, de uma forma ou de outra, lhe estar a destruir a infância.

publicado por bmptavares às 17:02
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Quando os carros eram carros VIII

De Tomaso Pantera (1971)

 

Pois já passou mais um Natal - com muito frio e chuva. No Canadá, pela primeira vez em nuitos anos, há neve de costa a costa. Serão os efeitos devastadores do aquecimento global?

Na senda de postes anteriores aqui fica mais um carro como deve ser, pronto a emitir mais umas emissões virtuais, para ver se o ambiente aquece.

 

publicado por bmptavares às 11:46
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Quarta-feira, 24 de Dezembro de 2008

Feliz Natal!!!!

 

"White Christmas" - Dean Martin

 

 

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publicado por bmptavares às 08:58
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Sexta-feira, 19 de Dezembro de 2008

Quando os carros eram carros VII

Bucciali TAV 12 (1932)

 

Las Vegas está a enfrentar o pior nevão dos últimos 31 anos. Será do aquecimento global? Bom, pelo sim, pelo não, vamos soltar mais umas emissões virtuais...

 

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publicado por bmptavares às 10:34
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O circo chegou à cidade

 

 

Parece que os anarquistas portugueses vão fazer uma manifestação de apoio aos seus coleguinhas gregos. Está certo, sim senhor. Afinal, o Natal é tempo do circo descer à cidade.

Pena é que as palhaçadas destes meninos não sejam tão inofensivas como as dos outros palhaços. Pior ainda é que o público parece demonstrar a mesma displicência e benevolência para uns e outros. É que, entre o esguicho de água da flor na lapela, vai uma grande distância para o "cocktail molotov".

publicado por bmptavares às 10:26
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Quinta-feira, 18 de Dezembro de 2008

Reflexões I

Na Universidade os professores pouca coisa me ensinaram ou eu não aprendi, o que vai dar ao mesmo. Mas uma coisa ficou: em democracia, os povos têm os governantes que merecem. Ou seja, os governantes (ou os políticos, em geral) são apenas um espelho da população de um país. No caso dos portugueses, não ficamos muito bem na fotografia. Quando se fala em população referimo-nos, por facilidade, às classes médias e não às classes marginais. Aliás, a classe média é essencial para a democracia e vice-versa. É a classe média que confere estabilidade às democracias e mantem as margens contidas. Por seu lado,é a democracia que permite a estabilidade das classes médias. Assim, a qualidade de uma reflecte-se, necessariamente, na outra.

O que podemos designar como classe média portuguesa é relativamente recente. Desenvolveu-se sobretudo após o 25 de Abril e, por isso, está indelevelmente marcada por um carácter específico, que a distingue das classes médias de outros países europeus. Veremos como este facto não é dispiciendo.

A melhoria sensível das condições de vida fez-se em menos de uma geração, o que é, só por si, um facto deveras assinalável mas é, também, a raiz de muitos problemas. E o maior podemos designá-lo: novo-riquismo. Porquê? Bom, o rendimento disponível das famílias serve, acima de tudo, para alimentar uma ostentação saloia, de mau gosto e desregrada. Séculos de miséria indigente tornaram-nos ávidos de consumo e de desperdício. O desperdício é o luxo dos ricos. Confundimos modernidade com tecnologia, que é utilizada, sobretudo, para fins lúdicos. Assim se explica a paixão nacional por telemóveis, plasmas, leitores de mp3 e demais gadgets tecnológicos. Da mesma forma, o Governo acredita que um computador portátil montado em Portugal nos tornará uma potência exportadora de tecnologia e que um computador para cada aluno elevará os nossos padrões de ensino (a este respeito relembro uma interessante reportagem transmitida na SIC, há uns tempos, bem reveladora do uso dado pelos alunos aos portáteis do programa e-escola).

A Educação é, aliás, um dos problemas mais graves. Não confundo aqui Educação com Instrução. São coisas diferentes. A Instrução serve para as estatísticas; a Educação serve para moldar um país. A Educação democratizou-se e deteriorou-se. Uma coisa não conduz necessariamente à outra, mas corre esse risco se não for bem conduzida. Como é óbvio, não foi. O ensino e a aprendizagem tornaram-se conceitos vagos e latos, onde tudo cabe. Os apelos ao esforço e ao estudo são, hoje, excentricidades ou - pior - resquícios de um tempo passado. A linguagem pomposa, rebuscada mas oca das ciências da educação, é própria do novo-riquismo, da ânsia de modernidade e progressismo. É, também, o pior veneno: menoriza o esforço e o mérito e produz gerações de analfabetos funcionais, gente que não entende o que lê, de cultura geral anémica e perfeito desconhecimento do mundo que a rodeia. Isto conduz à massacrante propagação do lugar-comum, da mediocridade, do superficial. Cria uma raça de gente desmazelada e pouco informada, desinteressada.

A exigência pelo rigor é mal direccionada: mais facilmente se desculpabiliza o autarca aldrabão do que o jogador de futebol que falha o golo decisivo. Confunde-se exigência com sobranceria e rudeza. Assim é o novo-rico.

O sistema torna-se imparável; torna-se uma linha de montagem de profissionais mal prepradados que se vão replicando porque a situação é, de algum modo, confortável. Tornam-se avessos a qualquer mudança.

A Universidade que, ao menos, devia preparar os alunos na especificidade de cada curso, nem isso faz. Os alunos saem das Universidades sem dominar sequer a sua área de saber. A Universidade que devia formar cidadãos numa multiplicidade de saberes (por isso se chama Universidade), permite que os alunos lhe passem pelas mãos sem demonstrarem os seus conhecimentos mais básicos, como ler ou escrever em condições. Da massa de alunos, ela escolhe os seus filhos dilectos, formados numa cultura de elite, preconceituosa, fechada e profundamente ortodoxa nos seus fundamentos.

A vulgaridade atinge todos os sectores. O país torna-se um enorme subúrbio: uma coisa feia de casas amontoadas sem plano, de prédios deprimentes plantados no meio de terrenos esventrados onde, durante anos, jazem os detritos que sobejam das obras. Os arremedos de jardins e parques em pouco tempo se desmazelam e sujam. Os passeios ficam inacabados e as ervas crescem nos intervalos. As estradas são apenas alcatrão pintalgado de branco, as bermas são negligenciadas, a sinalização é vandalizada. São aspectos aparentemente risíveis mas que revelam muito sobre um povo e os seus governantes.

 

publicado por bmptavares às 15:04
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Quarta-feira, 17 de Dezembro de 2008

I'll be back...

 

Tal como o exterminador implacável que, no fim de cada filme parecia aniquilado, mas que ressurgia sempre na sequela, também Santana Lopes ressurge dos escombros. É uma boa notícia? Er... bem... quer dizer, depende. O estilo oscila entre uma gravidade ensaiada e a stand-up comedy (suponho que funcione bem para um vasto número de pessoas que aprecia o estilo pai de família: uma mistura de autoridade bacoca e a fraternidade de tasca), o que é sempre dispensável. No entanto, pode ganhar a Câmara a António Costa. Sempre tem alguma coisa para apresentar. O que, só por si, já não é mau.

Maior do que a vergonha de Ferreira Leite ao ter que engolir este sapo, vai ser a vergonha de António Costa perder para Santana Lopes. Depois disso, esqueça a liderança do PS por uns tempos. O melhor é começar já a pensar em alguma posição de administrador numa empresa, para a travessia do deserto.

publicado por bmptavares às 03:43
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