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Quarta-feira, 13 de Janeiro de 2010

Mais vale cair em graça do que ser engraçado

tsf.sapo.pt/programas/programa.aspx

 

O link acima leva-o ao site da TSF, mais precisamente a uma das crónicas de Bruno Nogueira. Antes de mais, uma declaração de interesses: nunca achei o Bruno Nogueira um humorista interessante ou, sequer, engraçado. Por outro lado, penso que o humor não deve ter limites. Quero dizer com isto que não devem existir temas interditos ao humor e ao humorista. Muito simplesmente, o humorista deve colocar-se nas mãos do público: se este gosta do que ele diz, mesmo que seja uma alarvidade, então o humorista sabe que o público pensa como ele; mas pode acontecer que o público considere que o humorista foi longe demais. Neste caso, não é necessária nenhuma proibição. Sem público, o humorista terá que mudar o seu registo ou dedicar-se a outra actividade.

Bom, esta conversa vem a propósito da crónica linkada acima, intitulada "O Paradoxo do Ornitobronco". Como diz o Carlos Botelho, no blog O Cachimbo de Magritte (cachimbodemagritte.blogspot.com/) aquilo é um belo pedaço de merda. O que me incomoda nem é o facto de o humorista se deixar cegar pelos seus pontos de vista pessoais (ele não está vinculado a qualquer dever de imparcialidade) mas sim a grosseria da coisa. Uma grosseria que não se mede apenas pelas palavras mas, sobretudo, pelo tom. Há ali uma pretensão a certa superioridade moral ou mesmo intelectual, muito própria da personagem e já presente noutros episódios. Mas ao contrário do Carlos Botelho não acho que aquilo escorra ódio. A criatura não tem estofo para isso. O que há ali é a vulgaridade típica de uma certa elite suburbana que, depois de ir duas ou três vezes a Nova York, se acha melhor do que o patético vizinho do 3º esquerdo que, além de não viajar, ainda por cima vai à missa todos os Domingos. Esta provinciana pretensão de modernidade é, muito simplesmente, confrangedora e vulgar. Um tosco e pouco sofisticado exercício de má-educação e desconsideração.

Mais ainda: a suprema ironia da coisa. Aqueles que, no uso da sua liberdade, não concordam com o casamento gay são pouco mais do que criaturas infra-humanas, que comunicam por grunhos e deviam ser sujeitos a um qualquer programa de reeducação; já aqueles que reduzem os que pensam diferente àquela condição e contra eles arrotam piadas "zoomórficas" são iluminados e sofisticados seres, a quem a Divina Providência (salvo seja) colocou a pairar acima dos demais. Não é que seja triste. É apenas fraquinho.

publicado por bmptavares às 04:00
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